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3.12.11

A dor de ficar bonita

No supermercado, as prateleiras estão abarrotadas de cremes com todas as promessas milagrosas possíveis: creme de combate a rugas, para dar mais firmeza à pele, para tirar mancha, curar acne, revitalizar, para o dia, para a noite etc. Eu sei que supermercado não é o local mais indicado para comprar cremes, mas hoje é domingo e não quero esperar a entrega da farmácia de manipulação.

Dentre as diversas opções milagrosas, fiquei em dúvida entre dois: o Q10 da Nívea (“pele mais firme em duas semanas”) e o Happy Hour (pensa em cheiro über BOM e fresquinho). É claro que eu peguei o da pele mais firme em duas semanas, não porque minha pele esteja flácida, mas sempre é melhor agir com precaução... No momento de chegar ao caixa, depois de uma série de reflexões sobre o assunto, troquei.
























No final das contas, eu percebi que eu estava fazendo uma escolha muito maior do que optar por cosméticos; naquele momento, pelo menos, me pareceu que era algo maior. Beleza (pele mais firme em duas semanas) ou felicidade (Happy Hour de cheirinho bom)?

O conceito de felicidade é muito amplo. Aqui, penso felicidade como prazer. É claro que pessoas menos avisadas vão logo protestar, naquelas lindas frases, que bonito mesmo é ter prazer nas coisas e estar bem consigo mesma.

Nunca vi ninguém feliz que se achasse feia. Nunca vi ninguém que se achasse feia feliz. E, sim: nós fazemos escolhas. Escolhemos usar salto alto para sair e ficar mais bonita, escolhemos não comer a parte mais gostosa da sobremesa para não engordar, escolhemos ir na academia ao invés de ficar em casa vendo Dexter, escolhemos fazer escova no cabelo, mesmo com o maior calor do mundo... - a gente abre mão de muitos prazeres e conforto pela beleza.

Tudo o que fazemos e deixamos de fazer pela beleza
Freud disse que deixamos de fazer algo gostoso apenas no sentido de adiar um prazer - deixamos um prazer para depois quando ele pode, de alguma forma, ser mais recompensador. Contudo, é importante refletir sobre o quanto a gente investe e o quanto isso retorna nas nossas vidas. Pensar naquilo que deixamos de fazer por um padrão social bastante controverso. 

É claro: não deixe de fazer suas aulas de jump, nem a sobrancelha com linha egípcia, mas saiba adicionar umas felicidadezinhas de alguma forma: comendo um docinho de vez em quando ou comprando um creme só pelo cheiro (e não pelas suas promessas milagrosas). ♥



Carol Bonturi já se acostumou com a dor. Laser faz cócegas. Gente estúpida dói.
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